“ensejo miscigenativo” por Marcela de Oliveira

cara/brasil/colonizado

foto por Ticiane Martins

A relação de causa entre, os traços sem definições características e o brasileiro, é justamente o que o define.

A soma das diferenças é o que dá a originalidade para qualquer cultura. Cultura essa que recebemos em época colonizadora, e que ainda nos dias atuais, usufruimos demasiadamente.

O hábito das crenças e rezas, indigenamente herdados. O costume de vestir “as vergonhas”  sem se deixar sair nú pelas ruas. E quem diria, que a arte do samba “brasileiro”,  nem tão o é. Samba, dança, ritos, ofertas á Orixás e Exus foram o que deu origem ao samba, que hoje naturalizou-se brasileiro, ou abrasileirou-se. 

Cultura nunca se perde, sempre se soma. Processo de aculturação. Será que valem, em sua maioria, à pena?

A época explorativa, vulgo colonização, que através do comércio de escravos propiciou um grande desenvolvimento no comércio português, e consequentemente brasileiro, foi uma transição bastante significativa na cultura brasileira.

Gilberto Freyre refere-se às misturas de cultura e povos como uma “poligamia de uma sociedade híbrida, segundo as transações entre eurotupis” .

Estamos falando de uma sociedade que lucrava por demais, através da exploração da mão de obra humana. Cerca de cem milhões de negros “arrastados” da África para a América do Sul, viveram suas vidas, se assim pode se chamar, em mãos estrangeiras. Seis milhões dessas mesmas “ferramentas de trabalho”, veiram para o Brasil.

Óras, não pense você que, apenas os negros sofriam com os maltratos da exploração. Os índios que aqui viviam, bem antes dos “estrangeiros” chearem, eram do mesmo jeito subordinados a lucrar em prol de uma sociedade lusa.

Exploratividade, era a principal característica na Ilha de Vera Cruz. Exploração que se estendia a diversos âmbitos.

Nos tempos em que se agregavam os srs d’Engenho por esta terra daqui, seus escravos tinham, como obrigação, servirem a qualquer circunstância que lhes eram necessárias.

Necessidades, até mesmo as sexuais, eram obrigações à serem cedidas aos srs d’Engenho, pelas escravas negras. Além do mais, depois do feito, em ataques ciumentos das sras d’Engenho, os dentes da mesma escrava eram mandados serem quebrados, um a um. Até que não lhe sobrasse nada.

E deste modo, servia-se à realeza portuguesa …

Sem dentes na boca, e uma enorme barriga prenha de seu Sr. O filho que iria nascer era herdeiro do europeu branco, herdeiro não de berço, claro, e sim de duas nações, duas culturas. Nascia então a mistura entre raças, a miscigenação brasileira. O mulato, ou a mulata.

Descendentes de escravos e senhores de escravos, a miscigenação brasileira confunde-se com os seus próprios traços. “A gente vem do tambor do índio/A gente vem de Portugal/Vem do batuque negro” .

.. Com quantos Brasis se faz um país?

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1 comentário

Arquivado em BRASILEIRA, Cultura

Uma resposta para ““ensejo miscigenativo” por Marcela de Oliveira

  1. Renata

    Muito bom , Marcela. Parabéns.

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