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“Vale bradar, pela arte” por Marcela de Oliveira

Inspiração por Ticiane Martins

Falar de arte é algo sempre muito complicado.

Deve-se ter todo tipo de cautela ao tratar do assunto. As pessoas, talvez tenham complicado demais o conceito de “arte”, e exagerado bastante o aspecto ideológico subjetivo sobre seu significado.
Já dizia o velho ditado que, “o que é bom não é muito, e nem pouco”, simplesmente na medida correta.

A palavra “arte”, em seu sentido etimológico, provém de “ars” ou “artis”, que dispõe da correlação do verbo grego “tékne”.
Arte é o ato de criação, de fazer ou produzir algo.
Proponho, então, uma reflexão lógica. Apague tudo da memória, e recorde apenas o tempo dos estudos da “Arte moderna de 22”.
O que é arte para Almeida Jr pode não ser para Duchamp, por exemplo. Assim como o que é arte para Joãozinho, pode não ser para Mariazinha, entende a relação?

E são nesses pontos que percebemos as diferenças entre as artes, ou que realmente é e não o é.
Almeida Jr, retrata de maneira explêndida o cotidiano brasileiro em suas telas, na década de 70. E arte é realmente a criação desse processo, o retrato da realidade de um modo produtivo.
Alguns vão dizer que Duchamp, também retratou com um “urinol” exposto nas galerias, uma tendência da época moderna, e que portanto era, de fato, uma realidade.
Porém, a “tendência” de Duchamp, parece-me ser um tanto quanto “marketista” neste ponto.
E é assim que hoje se faz arte, do mesmo modo que se propaga o marketing. Deixou-se de ser um retrato que exerce um poder ideológico real, para ser um produto pronto para ser consumido e reprodutibilizado.
A semana da tal arte moderna, seria como nos dias de hoje, um grande evento para espalhar e propagandiar a popularidade de um produto novo no mercado.
Obviamente que em 22, surgiram muitas cabeças pensantes preparadas para enfrentar o mundo e, mostrar-lhe o que era arte, principalmente o mundo literário, afinal não a chamavam de a grande “orgia intelectual” ?. A literatura nunca crescera tanto como cresceu na semana modernista, fato. Mas simplesmente expor um “urinol” assinado pelo (pseudo)autor, em uma galeria, tratando-se de arte, contradiz todo o crescimento e todo o processo de desenvolvimento com que o meio artístico passou. É excluir fatos históricos, e desconstruir, assim como propunham, os degraus subidos no decorrer dos tempos.

O movimento dadaísta ,dizia-se a favor do absurdo, do caos e da desordem. É, talvez agora entende-se o porquê do “urinol” e sua falta de criativadade. Onde criatividade é logo o que subentende-se por ARTE, qual o fundamento desse movimento ?!
Ser contra àqueles que não conseguiam parar de fazer guerra? Contradizer todos os que eram a favor da razão? Fazer com que a “nova” arte seja despertada no coraçãozinho das pessoas? Fazê-las acreditar num movimento de influência européia, e praticá-lo, mesmo sem entender?

Ok, respondo à essas perguntas com outra: Quem terá o PRIMEIRO cd do Caetano Veloso(ou qualquer outro cantor)?. A primeira produção de alguém totalmente midiático nos dias atuais.
Ou então, quem prova que a Mona Lisa que está Museu do Louvre é o verdadeiro quadro, o primeiro que Da Vinci pintou?

A primeira bíblia? A escultura verdadeira? …

Hoje em dia, as coisas são apenas reprodutibilidades, fórmulas. Sensações de Déja Vú durante todo o tempo, onde as obras perdem a aura, perdem a ideologia.
E repoduzindo-se desta forma, as obras, deixam de ser arte, pois arte é tudo aquilo que se faz eterno, se faz permanente.
Gullar dá um parecer sobre o permanente da arte, onde faz-se pensar à propósito da subjetividade da arte moderna:

“Permanência. É isso que é arte: a busca de fundar o permanente. Chegou-se, nas últimas décadas, ao cúmulo de criar a “arte do efêmero” do “perecível”, o que é uma contradição em termos. O artista busca o permanente para assim motivar a realidade. Vou dar um exemplo. O Ibac está doando obras para o acervo do Museu Nacional de Belas Artes em breve. Outro dia encontramos lá uma coisa, que é um pedaço de ferrolho que era emendado com um pedaço de borracha. Não sei quem é o autor. Que vou fazer? Cadê o pedaço de borracha, como era a emenda? Esses caras negam a permanência da obra de arte, mas eles acreditam na “sublimidade” da arte, em que não acredito absolutamente. É só botar o ferrolho lá, que vem outro cara e escreve uma lauda complicadíssima. Transformamos o mundo de duas maneiras: ou poeticamente ou simbolicamente. Essa gente destrói a linguagem visual, mas consagram a verbal. Que revolução há nisso?”.

A arte para Gullar, ao meu ver,é aquela que seja simplesmente, ou nem tão simples assim, a arte dos tempos antigos, onde esperava-se até o final de semana para ouvir uma música, ou quando um pintor que decidia expor seus sentimentos numa tela, não enchergava preço que pagasse por aquilo!!
E não apenas ouvir uma mesma letra que se enquadra e pode ser musicada pelo funk, pelo axé, pelo forró, sertanejo…
Muda-se o ritmo, continua a letra. Isso é o que chamamos, hoje em dia, de originalidade ….
Há muita coisa pra mudar, muita coisa há se fazer. Inúmeras coisas para serem criadas, leia-se: c.r.i.a.d.a.s, e não reproduzidas …
Não que o consumo tenha que ser banido(até porque seria impossível),mas isso só da abertura para Adorno e Herckeimer provarem estarem certos, sobre suas teorias “dominadoras” da Indústria cultural sobre nós e tudo aquilo que “achamos” ser arte…
E afinal, o que é arte?

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